O "Maniaco do Parque" conta a história da Francisco de Assis Pereira, um dos mais aterrorizantes serial killers do Brasil. Entre 1997 e 1998, ele matou pelo menos 10 mulheres e atacou outras 13. Sua estratégia era seduzir as vítimas com promessas de sessões de fotos, usando de seu carisma e de seu trabalho como motoboy. A brutalidade dos crimes, que chocaram o país, transformou o caso em um dos mais marcantes na história policial brasileira.
O filme começa com uma cena poderosa: ao som da versão punk de "What a Wonderful World", de Joey Ramone, vemos Francisco de Assis Pereira, interpretado por Silvero Pereira, fluir pelas ruas de São Paulo com seus patins e um sorriso estampado no rosto. A fotografia ensolarada contrasta com o cinza dos prédios, e já da pra sentir a dualidade no ar. O simpático motoboy esconde uma mente perversa, pronta para caçar suas vítimas, e essa tensão está presente desde os primeiros minutos. De cara você já se pergunta: O que esse cara vai aprontar?
Maurício Eça, que já fez sucesso com a trilogia de Suzane Von Richthofe, sabe o que faz quando se trata do gênero true crime. Obviamente eu não acompanhei o frenesi da época, era apenas uma criança, mas pelo que já li a respeito, acredito que ele tenha sido muito bem representado, mostrando uma mídia que não parava de falar sobre o Maníaco do Parque. Além disso, é muito importante destacar o cuidado com o qual o filme aborda a violência, que não foi exposta de forma gratuita, tudo muito bem elaborado, destacando um cuidado notável em relação as vitimas.
Falando nisso, não posso deixar de mencionar Elena, uma jornalista fictícia interpretada pela linda Giovanna Grigio. Ela representa aquele olhar que a gente não vê nas manchetes o das mulheres que foram vítimas e o da sociedade que assiste, impotente, mas com muito ódio guardado. É interessante notar como o filme tenta balancear essa narrativa com a de Francisco, quase transformando-o em coadjuvante para que a história das vítimas ganhem mais visibilidade. Grigio, que sempre vimos em papéis mais leves, entrega uma atuação cheia de camadas e no meu leigo ponto de vista, maravilhosa, enquanto Silvero Pereira, entrega uma performance realmente perturbadora inclusive no seu próprio olhar.
Para mim, um ponto de destaque na produção foi o cuidado ao mostrar as cenas dos crimes. Elas são tensas sim, mas a violência não é gratuita. A câmera foca mais na expressão do Francisco, naquele olhar vazio, do que em detalhes gráficos. Isso dá um tom de horror psicológico muito mais profundo, o que eu amo!
Agora, um ponto que eu acho que poderia ter sido diferente é a leveza do final. O filme constrói uma atmosfera densa, mas acaba optando por um desfecho mais otimista e clichê, o que quebra a experiência que foi oferecida até ali. Francisco pode ser solto em agosto de 2028, então essa leveza não combina com a realidade do que ele representa, especialmente considerando que ninguém esta satisfeito com essa possível liberdade... exceto algumas mulheres, apaixonadas por Francisco que escrevem diversas cartas para ele no presidio, mas isso é história para um outro post.
Por fim, podemos considerar que o O Maníaco do Parque é um filme forte e muito bem conduzido, se tornando um true crime que não só assombra, mas também nos faz refletir sobre as vítimas e o papel da mídia.
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